Impacto das novas medidas na habitação em Portugal: o que muda

Impacto das novas medidas na habitação em Portugal: o que muda

O Governo aprovou recentemente um pacote de medidas fiscais que promete marcar um novo ciclo no mercado da habitação em Portugal. O objetivo é claro: aumentar a oferta de casas, moderar preços e rendas e simplificar processos.

Estas medidas ainda aguardam publicação em Diário da República, mas já deixam antever impactos relevantes para construtores, senhorios, arrendatários e compradores.

 
IVA a 6% na construção e reabilitação

Uma das medidas mais relevantes é a redução da taxa de IVA para 6% em projetos de construção ou reabilitação de habitações:

  • Venda até 648.022 €
  • Arrendamento com renda até 2.300 €/mês
  • Inclui também projetos de autoconstrução (limites a definir pelas Finanças).


Esta redução pretende aumentar a rentabilidade de projetos residenciais, especialmente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e atrair investimento que até aqui se direcionava sobretudo para turismo ou habitação de luxo.

 
Incentivos para senhorios e arrendatários

As medidas estendem-se também ao arrendamento:

  • IRS para senhorios: baixa de 25% para 10% em contratos de renda moderada (até 2.300 €/mês).
  • Deduções para inquilinos: sobem para 900 € em 2026 e 1.000 € em 2027, desde que os contratos sejam de renda moderada e tenham pelo menos 3 anos de duração.
  • AIMI: imóveis arrendados até 2.300 € ficam isentos até 2029.


👉 Estas alterações tornam mais atrativo colocar imóveis devolutos no mercado e ajudam a aliviar o peso das rendas para os inquilinos.

 
Licenciamento e reabilitação mais rápidos

O pacote inclui ainda a reforma do licenciamento urbanístico (RJUE):

  • Digitalização de processos;
  • Redução de prazos;
  • Menos burocracia em áreas prioritárias de construção e reabilitação.


O objetivo é acelerar a entrada de novas casas no mercado, sobretudo em zonas urbanas com maior procura.

 

Questões em aberto

Apesar do potencial, há dúvidas que permanecem:

  • Será que as empresas de construção vão apostar em larga escala nestas condições?
  • Os senhorios vão efetivamente disponibilizar imóveis devolutos?
  • Como será compensada a perda de receita fiscal para o Estado?
  • A fiscalização será suficiente para travar contratos ilegais ainda comuns em Portugal?


A eficácia destas medidas dependerá não só dos incentivos, mas também de um acompanhamento próximo e de estabilidade política para garantir a sua continuidade.

 

O que esperar do mercado

Se aplicadas com consistência, estas medidas podem:

  • Aumentar a oferta habitacional;
  • Contribuir para rendas e preços mais moderados;
  • Incentivar a reabilitação urbana;
  • Promover maior justiça social no acesso à habitação.


Portugal poderá assim dar início a um novo ciclo na habitação, mais equilibrado e sustentável.

 

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