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Cartões de crédito contam para a taxa de esforço?

Cartões de crédito contam para a taxa de esforço?

Sim, os cartões de crédito podem influenciar a taxa de esforço e a aprovação de um novo financiamento, incluindo um crédito habitação. O impacto depende da existência de valores em dívida, da modalidade de pagamento, do plafond disponível e dos critérios de avaliação utilizados por cada instituição financeira.

Mesmo que tenha um cartão que utiliza pouco ou cujo saldo paga integralmente todos os meses, essa linha de crédito pode aparecer no seu Mapa de Responsabilidades de Crédito. Por esse motivo, antes de pedir um empréstimo, é importante perceber como os bancos analisam os cartões de crédito e o que pode fazer para apresentar uma situação financeira mais equilibrada.

 

O que é a taxa de esforço?

A taxa de esforço representa a percentagem do rendimento mensal líquido de um agregado familiar que é utilizada para pagar prestações de crédito.

De forma simplificada, pode ser calculada através da seguinte fórmula:

Taxa de esforço = total das prestações mensais de crédito ÷ rendimento mensal líquido × 100

Entre os encargos considerados podem estar as prestações relativas a:

Por exemplo, um agregado familiar com um rendimento líquido mensal de 2.500 euros e prestações de crédito no valor total de 750 euros apresenta uma taxa de esforço de 30%.

 

Como é que um cartão de crédito entra na taxa de esforço?

Quando existe um montante utilizado no cartão e o pagamento é feito de forma parcial, a instituição considera o encargo associado ao cartão na avaliação da capacidade financeira.

A forma concreta de estimar esse encargo pode variar entre bancos. A instituição poderá ter em conta o saldo utilizado, a modalidade de pagamento escolhida, a prestação mensal, o plafond contratado e o histórico de utilização do cartão.

Imagine que tem um cartão com um saldo em dívida de 2.000 euros e que paga mensalmente 100 euros. Num cálculo meramente ilustrativo, esses 100 euros podem ser considerados juntamente com as restantes prestações.

Se o agregado familiar tiver:

  • rendimento líquido mensal de 2.000 euros;
  • prestação automóvel de 250 euros;
  • pagamento mensal do cartão de 100 euros;
  • futura prestação do crédito habitação de 500 euros;

O total mensal de encargos será de 850 euros. A taxa de esforço será, neste exemplo simplificado, de 42,5%.

Sem o encargo do cartão, seria de 37,5%. Uma diferença de 100 euros mensais pode, assim, ter um impacto relevante na capacidade de financiamento e no montante máximo que o banco estará disponível para conceder.

Contudo, este exemplo não representa uma fórmula obrigatória para todas as instituições. Cada banco utiliza os seus próprios critérios e modelos internos de avaliação do risco.

 

Um cartão sem dívida também pode influenciar o pedido?

Ter um cartão de crédito não significa necessariamente ter uma dívida. Se utilizar o cartão e pagar a totalidade do extrato dentro do prazo, poderá não existir uma prestação permanente comparável à de um crédito pessoal.

Ainda assim, o cartão continua a representar uma linha de crédito disponível.

A Central de Responsabilidades de Crédito do Banco de Portugal distingue entre responsabilidades efetivas e responsabilidades potenciais.

O montante já utilizado num cartão constitui uma responsabilidade efetiva. O plafond contratado, mas ainda não utilizado, pode surgir como uma responsabilidade potencial.

Isto significa que um cartão com um limite de 5.000 euros pode aparecer no Mapa de Responsabilidades de Crédito, mesmo que o saldo utilizado seja de zero euros.

A existência desse plafond não significa que os 5.000 euros sejam automaticamente tratados como dívida ou que sejam integralmente incluídos na taxa de esforço. No entanto, a instituição pode considerar essa linha de crédito na avaliação global da capacidade de endividamento, uma vez que o cliente poderá utilizá-la depois da contratação do novo empréstimo.

Não existe uma percentagem única que todos os bancos sejam obrigados a aplicar aos plafonds não utilizados. Cada instituição pode atribuir maior ou menor importância às responsabilidades potenciais, de acordo com as suas políticas de risco.

 

Pagar o cartão a 100% elimina o impacto?

Pagar mensalmente a totalidade do valor utilizado é geralmente mais favorável do que manter um saldo em dívida e pagar apenas uma percentagem do extrato.

Quando o pagamento integral é realizado dentro do prazo e existe um período de crédito sem juros, esta prática permite normalmente evitar juros sobre o montante utilizado. Também demonstra um comportamento de pagamento regular.

No entanto, pagar o cartão a 100% não elimina o contrato nem o registo da linha de crédito ativa.

Os cartões são uma modalidade de crédito renovável. À medida que o cliente reembolsa o montante utilizado, o plafond volta a ficar disponível para novas utilizações.

Por isso, um cartão pago integralmente todos os meses tende a representar uma situação mais favorável do que um cartão com dívida acumulada. Ainda assim, o plafond disponível pode continuar a ser considerado na análise global da solvabilidade.

 

Ter vários cartões prejudica a aprovação do crédito habitação?

Ter vários cartões não determina, por si só, a recusa de um crédito habitação. Contudo, vários cartões com plafonds elevados podem aumentar as responsabilidades potenciais registadas em nome do cliente.

O banco não avalia apenas a existência de pagamentos em atraso. A análise pode incluir:

  • os rendimentos e a estabilidade profissional;
  • as despesas regulares do agregado familiar;
  • as prestações de outros empréstimos;
  • os montantes utilizados nos cartões;
  • os plafonds de crédito disponíveis;
  • o histórico de pagamento;
  • eventuais situações de incumprimento;
  • a capacidade financeira após a contratação do novo crédito.

A Central de Responsabilidades de Crédito não é uma lista negra. Inclui informação sobre créditos pagos regularmente, responsabilidades potenciais e eventuais situações de incumprimento.

A existência de responsabilidades de crédito não significa automaticamente que o pedido será recusado. Permite, no entanto, que a instituição obtenha uma visão mais completa da situação financeira e do nível de endividamento do cliente.

Antes de iniciar o processo, consulte o guia sobre como pedir um crédito habitação em Portugal e confirme a documentação que pode ser solicitada pelas instituições financeiras.

 

Devo cancelar os cartões antes de pedir crédito?

Cancelar um cartão pode fazer sentido quando já não o utiliza, tem um plafond elevado ou pretende reduzir as responsabilidades potenciais associadas ao seu perfil.

No entanto, o cancelamento deve ser devidamente formalizado junto da entidade emissora. Cortar o cartão, deixar de o utilizar ou guardá-lo numa gaveta não termina o contrato de crédito.

Depois de pedir o cancelamento, confirme junto da instituição que o contrato foi efetivamente encerrado. Pode também consultar posteriormente o seu Mapa de Responsabilidades de Crédito para verificar se a informação foi atualizada.

Antes de cancelar todos os cartões, avalie se algum deles é necessário para despesas regulares, reservas, viagens ou pagamentos associados à conta bancária.

O objetivo não deve ser eliminar indiscriminadamente todos os produtos financeiros. Deve, antes, reduzir linhas de crédito desnecessárias e apresentar uma situação financeira organizada e adequada aos seus rendimentos.

Também pode fazer sentido solicitar apenas uma redução do plafond, especialmente quando pretende manter o cartão, mas não necessita de um limite tão elevado.

 

Como reduzir o impacto dos cartões na taxa de esforço?

Se está a preparar um pedido de crédito habitação, comece por verificar os valores utilizados nos seus cartões e liquidar os saldos em dívida sempre que a sua situação financeira o permita.

Depois, analise quais os cartões que realmente utiliza e considere reduzir os plafonds ou cancelar os contratos desnecessários.

Também é aconselhável evitar novas utilizações significativas e pagamentos fracionados nos meses anteriores ao pedido de financiamento. As instituições podem solicitar extratos bancários, comprovativos de rendimentos e outros documentos necessários para avaliar a solvabilidade.

Pode consultar outras medidas no artigo sobre como reduzir a taxa de esforço antes de pedir crédito.

Quando existem vários cartões e créditos ao consumo, poderá fazer sentido avaliar um crédito consolidado.

O crédito consolidado permite juntar diferentes financiamentos numa única prestação. Contudo, uma prestação mensal mais baixa pode resultar do prolongamento do prazo e representar um custo total superior. A solução deve, por isso, ser analisada caso a caso e não garante a aprovação de um futuro crédito habitação.

 

Os cartões de crédito podem impedir a aprovação?

Os cartões podem dificultar a aprovação quando existem dívidas elevadas, prestações mensais significativas, utilização frequente do plafond ou pagamentos em atraso.

Também podem reduzir o montante máximo que a instituição está disponível para financiar, especialmente quando o conjunto das prestações deixa pouca margem no orçamento mensal.

Por outro lado, um cartão com saldo reduzido, pagamentos regulares e um limite ajustado aos rendimentos não implica automaticamente uma decisão negativa.

A instituição deve avaliar a solvabilidade com base no conjunto da situação financeira, incluindo os rendimentos, as despesas, a idade, a situação profissional e as responsabilidades de crédito existentes.

Mesmo quando a taxa de esforço ou o DSTI respeitam os limites gerais, o banco não é obrigado a aprovar o financiamento. A decisão final depende da avaliação de risco realizada por cada instituição.

 

Prepare o seu pedido com A Casa dos Financiamentos

Antes de pedir crédito habitação, é importante perceber como os cartões, créditos pessoais e restantes encargos influenciam a sua capacidade de financiamento.

A Casa dos Financiamentos é uma marca da RJRI Financial Advisors, Lda., intermediário de crédito vinculado e registado no Banco de Portugal com o número 0008524.

A equipa analisa o seu perfil, ajuda a organizar a documentação e apresenta o processo às instituições financeiras com as quais mantém contrato de vinculação. O serviço de intermediação de crédito é gratuito para o consumidor.

Utilize o simulador de crédito habitação para fazer uma primeira estimativa ou fale com a nossa equipa para perceber que alterações podem melhorar a sua taxa de esforço e aumentar as possibilidades de aprovação.

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