Saiba quando compensa amortizar o crédito habitação, quanto pode poupar em juros e quais as comissões aplicáveis em 2026.

Amortizar o crédito habitação antecipadamente pode ser uma forma eficaz de reduzir a prestação mensal, poupar em juros e terminar de pagar a casa mais cedo. Mas será que compensa utilizar as suas poupanças para abater parte do empréstimo?
A resposta depende de vários fatores, como a taxa de juro, o capital em dívida, o prazo restante e as comissões aplicadas pelo banco.
Neste artigo, explicamos quando compensa amortizar o crédito habitação, quanto pode poupar e o que deve analisar antes de tomar uma decisão.
O que significa amortizar o crédito habitação?
A amortização antecipada do crédito habitação consiste em pagar uma parte ou a totalidade do capital que ainda deve ao banco, antes do prazo inicialmente previsto.
Existem duas modalidades:
Amortização parcial: utiliza um determinado montante para reduzir a dívida, mantendo o empréstimo ativo.
Amortização total: liquida todo o capital em dívida, terminando antecipadamente o empréstimo.
Em ambos os casos, o principal benefício é a redução dos juros futuros, uma vez que estes são calculados sobre o capital que permanece em dívida.
Quando compensa amortizar o crédito habitação?
A amortização antecipada pode ser particularmente vantajosa quando os juros são elevados e existe capacidade financeira para reduzir a dívida sem comprometer as poupanças essenciais.
Quando ainda faltam muitos anos para terminar o crédito
Quanto maior for o prazo restante do empréstimo, maior poderá ser a poupança acumulada em juros.
Nos primeiros anos de um crédito habitação com prestações constantes, uma parcela mais significativa da prestação é normalmente destinada ao pagamento de juros. Reduzir o capital nesta fase pode, por isso, ter um impacto relevante no custo total do financiamento.
Quando a taxa de juro é elevada
Se a taxa de juro aplicada ao crédito for superior à rentabilidade líquida que conseguiria obter numa alternativa de poupança com risco comparável, amortizar pode ser financeiramente interessante.
Por exemplo, se paga uma taxa de juro de 4% pelo crédito e tem poupanças aplicadas num depósito que rende 2% líquidos, poderá fazer sentido utilizar parte desse dinheiro para reduzir a dívida.
Contudo, é importante considerar os custos da amortização e a necessidade de manter alguma liquidez.
Quando pretende reduzir a prestação mensal
A amortização parcial também pode ajudar a aliviar o orçamento familiar.
Ao reduzir o capital em dívida, diminui normalmente o valor da prestação mensal, desde que se mantenham o prazo e as restantes condições do empréstimo.
Esta redução pode contribuir para melhorar a sua taxa de esforço e aumentar a disponibilidade financeira mensal.
Quanto posso poupar ao amortizar o crédito habitação?
O valor da poupança depende do montante amortizado, da taxa de juro e do prazo restante.
Imagine um crédito habitação com as seguintes condições:
Capital em dívida: 150.000€
Prazo restante: 25 anos
Taxa de juro anual nominal: 3%
Amortização antecipada: 10.000€
Antes da amortização, a prestação mensal de capital e juros seria aproximadamente 711€.
Depois de amortizar 10.000€, mantendo o prazo e a taxa de juro, a prestação passaria para cerca de 664€.
Isto representa uma poupança de aproximadamente 47€ por mês e uma redução de cerca de 4.226€ nos juros futuros.
Estes valores são ilustrativos e assumem uma taxa de juro constante durante todo o período. A poupança apresentada não inclui comissões, impostos, seguros ou outros encargos.
É melhor amortizar para reduzir a prestação ou o prazo?
Esta é uma das dúvidas mais comuns entre quem pretende amortizar antecipadamente o crédito habitação.
Reduzir a prestação mensal permite libertar rendimento todos os meses, facilitando a gestão do orçamento familiar. É a consequência habitual da amortização parcial quando se mantém o prazo do contrato.
Reduzir o prazo do empréstimo permite terminar de pagar a casa mais cedo e, geralmente, obter uma poupança superior em juros, desde que consiga manter uma prestação semelhante.
No entanto, a redução do prazo não é automática. É necessário solicitar uma alteração contratual ao banco, que depende do acordo entre ambas as partes.
A melhor opção depende dos seus objetivos: se procura maior disponibilidade financeira mensal, reduzir a prestação pode ser preferível. Se pretende minimizar o custo total do empréstimo, reduzir o prazo poderá ser mais vantajoso.
Quanto custa amortizar o crédito habitação em 2026?
A amortização antecipada pode estar sujeita a uma comissão bancária, cujo valor máximo depende do regime de taxa de juro em vigor no momento da operação.
Em 2026, os limites gerais são:
Taxa variável: até 0,5% do capital amortizado.
Taxa fixa: até 2% do capital amortizado.
Nos créditos com taxa mista, aplica-se o limite correspondente ao período de taxa fixa ou variável em que o contrato se encontra.
Por exemplo, numa amortização de 10.000€, a comissão máxima será de 50€ num contrato com taxa variável ou 200€ num contrato com taxa fixa. Acrescendo o Imposto do Selo de 4% sobre a comissão, os valores passam para 52€ e 208€, respetivamente.
A isenção temporária da comissão de amortização para contratos de habitação própria permanente com taxa variável terminou a 31 de dezembro de 2025.
Existem, contudo, situações em que não pode ser cobrada comissão de amortização antecipada, nomeadamente por motivos de morte, desemprego ou deslocação profissional, desde que sejam cumpridos os requisitos legais aplicáveis. O contrato também pode prever condições mais favoráveis.
Como amortizar antecipadamente o crédito habitação?
O processo é relativamente simples, mas exige uma comunicação prévia à instituição financeira.
Para uma amortização parcial, deve informar o banco com pelo menos sete dias úteis de antecedência, sendo a operação realizada na data de pagamento da prestação.
Se pretender liquidar a totalidade do empréstimo, o aviso prévio mínimo é de dez dias úteis.
Após receber o pedido, o banco deve disponibilizar informação sobre o impacto da amortização, incluindo os pressupostos utilizados nos cálculos.
Antes de avançar, confirme o novo valor da prestação, a poupança estimada em juros e todos os encargos associados à operação.
A amortização pode também ter impacto no seguro de vida associado ao crédito habitação. Confirme se o capital seguro foi atualizado e se existem alterações no prémio, tendo em conta as condições da apólice. A redução do capital seguro não significa necessariamente uma redução do prémio mensal.
Amortizar ou transferir o crédito habitação: o que compensa mais?
Amortizar não é a única forma de reduzir os encargos com o crédito habitação.
Se o seu contrato tiver um spread elevado, seguros caros ou condições menos competitivas, poderá ser vantajoso transferir ou renegociar o crédito habitação.
Ao conseguir uma taxa de juro inferior, pode reduzir a prestação e o custo total do empréstimo sem necessariamente utilizar as suas poupanças.
Em determinadas situações, pode até fazer sentido combinar uma amortização parcial com uma renegociação das condições do crédito.
Antes de decidir, compare a poupança obtida em cada cenário, considerando os custos envolvidos e o impacto no orçamento familiar.
Quer reduzir os custos do seu crédito habitação?
Se está a pensar amortizar o crédito habitação, pode também ser uma boa altura para avaliar se as condições do seu empréstimo continuam competitivas.
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Antes de utilizar as suas poupanças para amortizar, descubra se pode conseguir melhores condições através da transferência do crédito habitação.
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