Saiba como funciona o IMT Jovem em 2026, quais são os novos limites, quem pode beneficiar e quanto pode poupar na compra da sua primeira casa.

O debate sobre o acesso à habitação tem estado no centro da agenda pública, sobretudo no que diz respeito aos jovens. Entre preços elevados e custos de entrada significativos, comprar a primeira casa tornou-se um desafio real.
Uma das medidas que ganhou maior relevância é o IMT Jovem, que isenta de imposto quem tem até 35 anos e compra a sua primeira habitação própria e permanente. Com o Orçamento do Estado para 2026, este regime deverá ser reforçado, trazendo novas oportunidades para reduzir os encargos fiscais no momento da compra.
O que é a Isenção de IMT Jovem
O regime IMT Jovem aplica-se a compradores com 35 anos ou menos que adquiram a primeira habitação própria e permanente.
A isenção cobre dois impostos, até ao limite anual definido:
IMT
Imposto do Selo de 0,8% sobre a compra
Abaixo do limite, o comprador não paga nenhum destes impostos. Acima do limite, existe isenção parcial: apenas o valor que excede o limite é tributado.
Novos limites previstos para 2026
O limite atual (2025) é de 324.058 euros.
Para 2026, está prevista a atualização em cerca de 2%, para aproximadamente 330.539 euros, valor que será confirmado com a publicação oficial das novas tabelas de IMT.
Até esse limite, o comprador beneficia de isenção total.
No caso de imóveis acima desse valor, a isenção mantém-se, mas apenas até ao limite, sendo o excedente tributado segundo as taxas normais (8% no escalão imediatamente seguinte, até cerca de 660.982 € em 2026).
Quanto é possível poupar
A poupança é particularmente relevante porque inclui dois impostos que são pagos de uma só vez.
Exemplo simplificado:
Num imóvel de 300.000 euros, os impostos (IMT + Imposto do Selo de 0,8%) podem representar vários milhares de euros.
Com o IMT Jovem, desde que o preço esteja dentro do limite, estes impostos passam a zero.
Mesmo em imóveis ligeiramente acima do limite, apenas o valor excedente é tributado, o que reduz de forma significativa o encargo final.
Quem pode beneficiar
Para usufruir da isenção, é necessário cumprir todos os requisitos:
Ter 35 anos ou menos na data da escritura
Comprar a primeira habitação própria e permanente
Não ser, nem ter sido nos últimos três anos, proprietário de qualquer imóvel habitacional (incluindo quotas herdadas)
Não ser considerado dependente para efeitos de IRS no ano da aquisição
Cumprir a afetação do imóvel a habitação própria e permanente nos prazos previstos na lei
O regime aplica-se a contribuintes com domicílio fiscal em Portugal, independentemente da nacionalidade.
Quanto vai pagar de IMT na prática
Mesmo com o regime de IMT Jovem, o valor dos impostos pode variar consoante o preço do imóvel, a localização e a forma de aquisição. Em casos de isenção parcial, por exemplo, apenas o montante acima do limite será tributado, o que pode representar alguns milhares de euros adicionais.
Pode utilizar este simulador de IMT para calcular quanto vai pagar de IMT e Imposto do Selo na compra de casa em Portugal.
Compras em conjunto: como funciona
Quando o imóvel é comprado por dois titulares e apenas um deles tem até 35 anos e cumpre todos os requisitos, a isenção não é perdida.
Nestes casos:
A isenção aplica-se apenas à quota-parte do comprador jovem
A parte do co-titular é tributada normalmente
Isto traduz-se numa isenção parcial, proporcional à participação do comprador elegível.
O que cobre (e não cobre) a isenção
Cobre:
IMT
Imposto do Selo (0,8%) sobre a compra
Emolumentos de registo da primeira aquisição e da hipoteca, até ao valor máximo do 4.º escalão do IMT (316.772 € em 2024, 324.058 € em 2025 e cerca de 330,5 mil € em 2026), ao abrigo do Decreto-Lei n.º 48-D/2024.
Não cobre:
Imposto do Selo sobre o crédito (0,6%)
Custos notariais ou de escritura que não sejam abrangidos pelas isenções de emolumentos
Honorários de solicitadoria/advocacia
Outras despesas contratuais e bancárias associadas ao crédito
Ou seja, o regime foca-se na transmissão do imóvel e nos principais registos associados à primeira aquisição por jovens, mas não elimina todos os custos do processo.
Erros que fazem perder ou reduzir o benefício
Alguns erros podem impedir que a isenção seja aplicada ou podem levar à sua caducidade:
Não afetar o imóvel a habitação própria e permanente nos prazos legais
Afetar o imóvel a arrendamento, alojamento local ou outra finalidade que não HPP
Já ser proprietário de outra habitação à data da compra ou nos três anos anteriores
Preencher incorretamente a declaração Modelo 1 do IMT
Voltar a ser considerado dependente para efeitos de IRS durante o período de manutenção do benefício
Em alguns casos, estas situações podem originar a reversão da isenção anos depois da escritura, com cobrança retroativa dos impostos.
Como pedir a isenção de IMT Jovem
A isenção é aplicada durante o processo de submissão da Modelo 1 de IMT, feita antes da escritura. Normalmente, este procedimento é tratado pelo solicitador ou pelo banco que acompanha o crédito. É nessa declaração que se identifica o enquadramento no regime jovem, permitindo à Autoridade Tributária calcular a isenção.
Na escritura, a isenção já aparece refletida automaticamente, desde que todos os dados tenham sido preenchidos corretamente.
Como A Casa dos Financiamentos o pode ajudar
A atualização do IMT Jovem para 2026 torna o processo de compra da primeira casa mais acessível para muitos jovens, reduzindo de forma significativa os impostos pagos no momento da escritura. Mas além dos benefícios fiscais, é fundamental garantir que o crédito habitação escolhido é sustentável, competitivo e adequado ao seu orçamento a longo prazo.
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