Crédito habitação recusado? 9 motivos comuns e o que fazer

Crédito habitação recusado? 9 motivos comuns e o que fazer

Crédito habitação recusado? Conheça os 9 motivos mais comuns, como identificar o problema e o que fazer para aumentar as hipóteses de aprovação.

Crédito habitação recusado? 9 motivos comuns e o que fazer

Receber um “não” do banco quando está a tentar comprar casa pode ser frustrante, sobretudo quando acredita que reúne todas as condições necessárias para conseguir financiamento.

No entanto, um crédito habitação recusado não significa necessariamente que nunca conseguirá comprar casa. Na maioria dos casos, existe um fator concreto que levou a instituição financeira a considerar o risco demasiado elevado. Depois de identificado, esse problema pode muitas vezes ser corrigido antes de apresentar um novo pedido.

Neste artigo explicamos os nove motivos mais comuns para um crédito habitação ser recusado, como identificar o problema e o que pode fazer para aumentar as hipóteses de aprovação numa nova tentativa.


O que significa, na prática, um crédito recusado?

A recusa de um pedido de crédito pode acontecer em diferentes momentos do processo.

Pode surgir logo na pré-análise, quando o banco faz uma primeira avaliação do perfil financeiro do cliente. Também pode ocorrer durante a análise formal, após a entrega de toda a documentação, ou numa fase posterior, depois de realizada a avaliação do imóvel.

Em determinadas situações, o banco não recusa definitivamente o financiamento, mas apresenta uma aprovação condicionada. Pode, por exemplo, exigir uma entrada inicial superior, a inclusão de um segundo titular ou a liquidação prévia de outros créditos.

Identificar a fase em que ocorreu a recusa é essencial para perceber o que precisa de ser ajustado. Antes de voltar a avançar, deve pedir ao banco uma explicação tão concreta quanto possível e analisar os elementos que mais pesaram na decisão.

Também pode ser útil perceber o̲ ̲q̲u̲e̲ ̲o̲s̲ ̲b̲a̲n̲c̲o̲s̲ ̲a̲n̲a̲l̲i̲s̲a̲m̲ ̲a̲n̲t̲e̲s̲ ̲d̲e̲ ̲a̲p̲r̲o̲v̲a̲r̲ ̲u̲m̲ ̲c̲r̲é̲d̲i̲t̲o̲ ̲h̲a̲b̲i̲t̲a̲ç̲ã̲o̲, uma vez que rendimentos, despesas, estabilidade profissional, histórico bancário e poupanças podem influenciar o resultado.


1. Taxa de esforço demasiado elevada

A taxa de esforço representa a percentagem do rendimento mensal líquido do agregado familiar que fica comprometida com o pagamento de prestações de crédito.

No caso do crédito habitação, o banco não analisa apenas a prestação inicial. São igualmente considerados os restantes créditos existentes e a capacidade de o agregado suportar possíveis alterações das taxas de juro ou do rendimento disponível.

Para os processos cuja avaliação de solvabilidade ocorra a partir de 1 de agosto de 2026, a recomendação macroprudencial do Banco de Portugal estabelece, como regra, um limite de 45% para o rácio DSTI. Existem exceções limitadas, mas o cumprimento deste valor não garante, por si só, a aprovação: cada instituição continua a realizar a sua própria análise de risco.

Se o banco concluir que o peso das prestações é demasiado elevado, pode recusar o crédito ou aprovar um montante inferior ao solicitado.

Para melhorar a situação, pode:

  • Liquidar ou reduzir créditos pessoais e automóveis;

  • Diminuir os limites dos cartões de crédito;

  • Cancelar cartões que já não utiliza;

  • Aumentar o valor da entrada;

  • Procurar um imóvel de valor inferior;

  • Incluir um segundo titular com rendimentos estáveis.

Consulte também algumas estratégias para r̲e̲d̲u̲z̲i̲r̲ ̲a̲ ̲t̲a̲x̲a̲ ̲d̲e̲ ̲e̲s̲f̲o̲r̲ç̲o̲ ̲a̲n̲t̲e̲s̲ ̲d̲e̲ ̲p̲e̲d̲i̲r̲ ̲c̲r̲é̲d̲i̲t̲o̲.


2. Problemas no Mapa de Responsabilidades do Banco de Portugal

As instituições financeiras consultam a Central de Responsabilidades de Crédito para conhecer os financiamentos associados a cada cliente.

O Mapa de Responsabilidades apresenta informação sobre créditos à habitação, créditos pessoais, cartões de crédito, descobertos bancários, garantias prestadas e situações em que a pessoa surge como fiador ou avalista.

A existência de atrasos, incumprimentos, valores utilizados em cartões ou responsabilidades das quais já não se lembrava pode prejudicar a análise. Também podem existir dados incorretos ou desatualizados que devem ser esclarecidos junto da instituição responsável pela comunicação.

Antes de apresentar um novo pedido, deve:

  • Solicitar gratuitamente o seu Mapa de Responsabilidades;

  • Confirmar todos os contratos que aparecem no documento;

  • Regularizar eventuais dívidas em atraso;

  • Pedir a correção de informação incorreta;

  • Verificar responsabilidades como fiador ou avalista.

Mesmo depois de regularizar uma dívida, pode ser necessário aguardar até que a informação seja atualizada no mapa.


3. Rendimentos instáveis ou mal enquadrados

Os bancos avaliam não apenas o valor dos rendimentos, mas também a sua origem, regularidade e previsibilidade.

Trabalhadores independentes, empresários, profissionais com rendimentos variáveis, pessoas que recebem comissões ou trabalhadores com contratos recentes podem ser analisados com maior prudência. Isso não significa que não possam obter financiamento, mas a preparação do processo tende a exigir mais cuidado.

Um trabalhador independente pode ter um rendimento anual elevado e, ainda assim, encontrar dificuldades caso os valores variem muito entre meses ou não estejam claramente refletidos nas declarações fiscais e nos movimentos bancários.

Nestes casos, pode ser necessário apresentar:

  • Declarações de IRS e respetivas notas de liquidação;

  • Recibos verdes ou comprovativos de faturação;

  • Extratos bancários;

  • Declaração de início de atividade;

  • Informação contabilística da empresa;

  • Contratos com clientes ou outros comprovativos de continuidade dos rendimentos.

É precisamente neste ponto que o acompanhamento de um i̲n̲t̲e̲r̲m̲e̲d̲i̲á̲r̲i̲o̲ ̲d̲e̲ ̲c̲r̲é̲d̲i̲t̲o̲ pode fazer diferença. A Casa dos Financiamentos analisa a forma como diferentes bancos avaliam rendimentos variáveis e ajuda a estruturar o processo de acordo com o perfil do cliente.


4. Falta de poupança suficiente para a entrada

Regra geral, os bancos não financiam a totalidade do preço de compra de um imóvel.

Para habitação própria e permanente, a recomendação do Banco de Portugal estabelece um LTV máximo de 90%. Isto significa que, na generalidade dos casos, o comprador precisa de assegurar pelo menos 10% através de capitais próprios. Para outras finalidades, o limite recomendado é normalmente de 80%.

Além da entrada inicial, existem despesas que normalmente não são incluídas no financiamento, nomeadamente:

  • IMT, quando aplicável;

  • Imposto do selo sobre a compra;

  • Imposto do selo sobre o crédito;

  • Custos da escritura ou do documento particular autenticado;

  • Registos;

  • Comissão de avaliação;

  • Outras despesas bancárias e administrativas.

Assim, ter apenas o valor correspondente a 10% do preço da casa pode não ser suficiente.

Quando a falta de poupança é o principal obstáculo, poderá ser necessário reforçar o capital disponível, procurar um imóvel mais barato ou adiar a compra durante algum tempo.

Recorrer a um crédito pessoal para pagar a entrada deve ser analisado com muita cautela. A nova prestação aumenta a taxa de esforço e pode acabar por reduzir as hipóteses de aprovação do próprio crédito habitação.

Saiba q̲u̲a̲n̲t̲o̲ ̲p̲o̲d̲e̲ ̲p̲r̲e̲c̲i̲s̲a̲r̲ ̲p̲a̲r̲a̲ ̲a̲ ̲e̲n̲t̲r̲a̲d̲a̲ ̲i̲n̲i̲c̲i̲a̲l̲ ̲d̲o̲ ̲c̲r̲é̲d̲i̲t̲o̲ ̲h̲a̲b̲i̲t̲a̲ç̲ã̲o̲ antes de assumir compromissos relacionados com a compra.


5. Valor do imóvel desajustado à capacidade financeira

Uma taxa de esforço dentro dos limites recomendados não significa que o banco tenha obrigatoriamente de aprovar o montante pretendido.

A instituição analisa a situação financeira global do agregado, incluindo as despesas regulares, o número de dependentes, a estabilidade dos rendimentos, a idade dos titulares, o prazo do contrato e a margem financeira disponível depois do pagamento da prestação.

Se o imóvel estiver no limite máximo da capacidade financeira do comprador, uma pequena alteração nas condições pode tornar o processo demasiado arriscado.

Antes de avançar, é aconselhável:

  • Simular diferentes montantes de financiamento;

  • Avaliar o impacto de uma prestação mais elevada;

  • Aumentar a entrada inicial;

  • Rever o prazo do empréstimo;

  • Considerar um imóvel de valor inferior;

  • Manter uma reserva financeira para despesas inesperadas.

Obter um c̲r̲é̲d̲i̲t̲o̲ ̲h̲a̲b̲i̲t̲a̲ç̲ã̲o̲ ̲p̲r̲é̲-̲a̲p̲r̲o̲v̲a̲d̲o̲ antes de escolher a casa pode ajudá-lo a procurar imóveis dentro de um intervalo mais realista. A pré-aprovação, contudo, não substitui a decisão final do banco nem a aprovação do imóvel.


6. Vínculo laboral recente ou instável

A situação profissional é um dos elementos considerados na avaliação da solvabilidade. O banco procura perceber se os rendimentos apresentados têm condições para se manter ao longo do tempo.

Uma mudança recente de emprego, um período experimental, um contrato a termo ou uma atividade profissional iniciada há pouco tempo podem aumentar a perceção de risco.

Ter um contrato a termo não impede automaticamente a aprovação do crédito. A decisão dependerá do conjunto do processo, incluindo o rendimento, a profissão, o histórico laboral, as poupanças, a taxa de esforço e a existência de um segundo titular.

Para reforçar o pedido, pode:

  • Apresentar um histórico profissional consistente;

  • Entregar contratos anteriores ou declarações da entidade patronal;

  • Aguardar o fim do período experimental;

  • Acumular mais meses de rendimentos regulares;

  • Incluir um segundo titular com uma situação profissional estável;

  • Aumentar a entrada inicial.

Cada banco pode interpretar o mesmo perfil de forma diferente. Por esse motivo, uma recusa numa instituição não significa necessariamente que todas as restantes tomarão a mesma decisão.


7. Excesso de créditos ativos

Créditos pessoais, financiamentos automóveis, cartões de crédito e descobertos bancários reduzem o rendimento disponível e aumentam a exposição financeira do agregado.

Mesmo quando as prestações individuais são baixas, o seu efeito acumulado pode ser suficiente para ultrapassar a taxa de esforço considerada aceitável pelo banco.

Além disso, os cartões de crédito podem ser considerados responsabilidades potenciais, mesmo quando não existe um valor elevado em dívida. A forma como são contabilizados depende da instituição e das características do processo.

Antes de pedir novamente o crédito habitação, poderá fazer sentido:

  • Liquidar financiamentos de curto prazo;

  • Amortizar parcialmente créditos existentes;

  • Cancelar cartões que não utiliza;

  • Reduzir plafonds elevados;

  • Evitar novos financiamentos;

  • Avaliar a possibilidade de consolidar créditos.

A c̲o̲n̲s̲o̲l̲i̲d̲a̲ç̲ã̲o̲ ̲d̲e̲ ̲c̲r̲é̲d̲i̲t̲o̲s̲ pode reduzir o total das prestações mensais em determinados casos, mas deve ser cuidadosamente avaliada. Um prazo superior pode diminuir a prestação e, simultaneamente, aumentar o custo total suportado ao longo do contrato.


8. Avaliação do imóvel inferior ao preço de compra

A aprovação financeira do cliente não é suficiente para garantir que o banco financiará o montante necessário.

O imóvel que servirá de garantia é avaliado por um perito. Para calcular o LTV, a instituição considera normalmente o menor valor entre o preço de aquisição e o valor da avaliação.

Imagine que acordou comprar uma casa por 250.000 euros, mas a avaliação bancária foi de apenas 220.000 euros. Mesmo que o banco aceite financiar 90%, esse financiamento poderá ser calculado sobre os 220.000 euros e não sobre o preço de compra.

Nesse cenário, o comprador terá de suportar a diferença através de capitais próprios.

Quando a a̲v̲a̲l̲i̲a̲ç̲ã̲o̲ ̲b̲a̲n̲c̲á̲r̲i̲a̲ ̲f̲i̲c̲a̲ ̲a̲b̲a̲i̲x̲o̲ ̲d̲o̲ ̲p̲r̲e̲ç̲o̲ ̲d̲e̲ ̲c̲o̲m̲p̲r̲a̲, poderá:

  • Analisar detalhadamente o relatório de avaliação;

  • Solicitar uma reapreciação, quando existam fundamentos;

  • Negociar o preço com o vendedor;

  • Aumentar o valor da entrada;

  • Procurar outra solução bancária;

  • Considerar um imóvel diferente.

É importante não assumir compromissos contratuais sem acautelar a possibilidade de o financiamento ser recusado ou ficar abaixo do esperado.


9. Documentação incompleta ou inconsistências

Um processo mal preparado pode atrasar a decisão ou, em casos mais problemáticos, contribuir para uma recusa.

Os bancos precisam de confirmar a identidade dos titulares, os rendimentos, as despesas, a situação profissional, os créditos existentes e a origem dos capitais próprios utilizados na operação.

Entre os problemas mais frequentes encontram-se:

  • Recibos de vencimento em falta;

  • Declarações de IRS desatualizadas;

  • Divergências entre os rendimentos declarados e os valores recebidos;

  • Extratos bancários com movimentos difíceis de justificar;

  • Transferências recentes sem origem identificada;

  • Documentos do imóvel incompletos;

  • Informação diferente entre formulários e comprovativos;

  • Existência de novos créditos contraídos durante o processo.

Antes de entregar o pedido, prepare uma checklist e confirme que todos os documentos estão atualizados, legíveis e coerentes.

Consulte a lista de d̲o̲c̲u̲m̲e̲n̲t̲o̲s̲ ̲n̲e̲c̲e̲s̲s̲á̲r̲i̲o̲s̲ ̲p̲a̲r̲a̲ ̲o̲ ̲c̲r̲é̲d̲i̲t̲o̲ ̲h̲a̲b̲i̲t̲a̲ç̲ã̲o̲ para reduzir o risco de atrasos ou pedidos adicionais de informação.


O que fazer após uma recusa?

Depois de receber uma resposta negativa, evite submeter imediatamente o mesmo processo noutro banco sem perceber o que correu mal.

Comece por pedir à instituição uma explicação sobre os principais fatores que influenciaram a decisão. Nem sempre receberá uma descrição detalhada do modelo interno de risco, mas poderá conseguir perceber se o problema está relacionado com a taxa de esforço, rendimentos, vínculo profissional, histórico de crédito, entrada inicial ou avaliação do imóvel.

Em seguida:

  1. Consulte o Mapa de Responsabilidades de Crédito;

  2. Reveja os seus rendimentos e encargos mensais;

  3. Confirme se a documentação está completa;

  4. Identifique o fator crítico que originou a recusa;

  5. Corrija aquilo que estiver ao seu alcance;

  6. Reavalie o montante que pretende financiar;

  7. Compare os critérios e propostas de diferentes instituições;

  8. Prepare uma nova candidatura de forma estratégica.

Submeter novamente o pedido sem alterar qualquer elemento aumenta o risco de receber uma nova resposta negativa.

Em alguns casos, o problema pode ser resolvido através da liquidação de um pequeno crédito, da apresentação de documentação complementar ou da redução do montante pedido. Noutros, pode ser necessário esperar por maior estabilidade profissional, reforçar a poupança ou escolher um imóvel mais ajustado à capacidade financeira do agregado.


Como A Casa dos Financiamentos o pode ajudar

Um crédito habitação recusado não é, na maioria dos casos, uma decisão definitiva. É um sinal de que existe um fator de risco que precisa de ser identificado, corrigido ou apresentado de outra forma.

A Casa dos Financiamentos analisa o seu perfil financeiro, identifica os pontos que podem estar a comprometer a aprovação e cruza a sua situação com os critérios praticados pelas diferentes instituições.

Podemos ajudá-lo a:

  • Avaliar a sua taxa de esforço e capacidade financeira;

  • Identificar fatores que podem provocar uma nova recusa;

  • Organizar corretamente a documentação;

  • Comparar propostas de diferentes bancos;

  • Selecionar as soluções mais adequadas ao seu perfil;

  • Estruturar o pedido antes de o apresentar;

  • Acompanhar o processo desde a análise inicial até à escritura.

Através do nosso serviço de c̲r̲é̲d̲i̲t̲o̲ ̲h̲a̲b̲i̲t̲a̲ç̲ã̲o̲, pode obter acompanhamento especializado ao longo das diferentes fases do processo.

Se teve o crédito recusado ou pretende reduzir o risco de isso acontecer, fale com a nossa equipa antes de avançar novamente. Analisamos o seu caso e ajudamo-lo a preparar um processo mais simples, seguro e ajustado à sua realidade financeira.

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Estamos disponíveis para o/a ajudar.

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